sexta-feira, 20 de novembro de 2009

TEATRO: A SERPERTE, de Nelson Rodrigues

O universo de Nelson Rodrigues está bem representado pelos atores, que estabelecem um clima tenso, utilizando voz e corpo, pouca luz e pouca música. A sexualidade exacerbada e a dúvida “afinal, quem é o desajustado” são o mote da peça.

Nesta montagem de ato único, Nelson apresenta duas irmãs e um homem – um triângulo sexual – e não amoroso! – suscitado graças à bondade de uma mulher e sua atitude diante da irmã – Guida e Lígia, respectivamente. O final, como sempre, é arrebatador e violento, é claro.

Pessoal, fica o convite:

Cia. Teatrofídico e a montagem A Serpente, de Nelson Rodrigues (última peça do autor, na década de 70).

Direção: Eduardo Kraemer
Elenco: Renato Del Campão, Rejane Meneghetti, Ágata Baú e Maiqul Klein.


ONDE? Sala 302 da Usina do Gasômetro (Av. João Goulart, 551).
QUNADO: sábado, 21 de novembro.
QUANTO: R$5,00 para estudantes.

Para aqueles que forem, nos vemos lá, 19:30!



http://teatropoa.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dissertação: uma introdução.

O texto é meio de exprressão. É por meio dele que o sujeito organiza o seu discuro. É por meio da leitura que o leitor cria significados, os quais são, acredito, uma negociação entre a tríade (como o sistema literário autor/obra/público) escritor/texto/leitor.
Sabemos que no vestibular somos convidados a elaborar um texto, de caráter dissertativo, para demonstrarmos nossa capacidade expressiva por meio das palavras. Sendo assim, os materias aqui disponibilizados tentam auxiliar o criador de um texto - principalmente, o argumentativo/dissertativo.
Os trabalhos apresentados, portanto, objetivam, essencialmente, a leitura e a discussão de ideias.

Boa leitura!

Autores Conteporâneos

Sem dúvida, essa nomenclatura, autores contemporâneos, é muito abrangente, mas, acredito, é o suficiente para nos referirmos à produção literário no Brasil após a década de 30. É claro que, aqui, selecionei poucos autores, os mais clássicos-canônicos.

Essa "classificação", no entanto, indica uma característica literária: a partir de agora, colocar os autores e suas propostas estéticas em "caixinhas" é muito difícil! O mais importante é ler as obras. Os velhos quadros de características, adorados pelos livros didáticos, passam a ser, em certa mediada, inúteis.

Portanto, a partir dessas pequenas explanações teóricas, fica o convite: ler a obra, ao menos um conto, ao menos uma crônica, ao menos uma poesia e, quem sabe, um romance ou um teatro!

Aqui, então, fica o sobre o que chamamos de LITERATURA DE TOM REGIONAL - João Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro - e LITERATURA DE TOM URBANO, Clarice Lispector, Lya Luft e Lygia Fagundes Telles.


LEITURA OBRIGATÓRIA - UFRGS 2010
Antes do Baile Verde, de Lygia Fagundes Telles

Abaixo, segue uma ilustração de Gus Morais - ilustrador que encontrei na internet. A imagem refere-se ao conto que dá título ao livro.



Romance de 30

Neste período historiográfico denominado Romande de 30 temos diversos autores reunidos. De fato, não houve uma proposta estética unificada, ou seja, os autores não se organizam em grupos, como na Arcádia ou na Semana de Arte Moderna de 1922. Sendo, as características que organizamos como referentes a esse momento são observações posteriores à produção dos livros.
Ainda assim, podemos perceber pontos de convergência entre os autores: a observação da realidade brasileira, a observação do regional, principalmente do sertão nordestino.
MOMENTO HISTÓRICO: mundialmente, vivia-se uma crise. As projeções da década de 20, que anunciavam o progresso, foram retalhadas pela Primeira Guerra Mundial. Em seguida, veio, em 1929, a quebra da Bolsa de Nova Iorque e o fortalecimento dos ideais totalitários de governo (Nazi-fascismo). No Brasil, por sua vez, exprerenciávamos o declínio da República Velha (República “café-com-leite”, 1989-1930). Passamos pelo Movimento Tenentista (1922) e pela Coluna Prestes (1928) até a Revolução de 30, quando o acerto das eleições entre São Paulo e Minas Gerais foi quebrado, causando confusão política. O desfecho foi uma revolução da elite: Washington Luís foi deposto, Júlio Prestes, que havia ganho as eleições, teve a posse impedida, para, em seguida, Getúlio Vargas assumir a presidência. Trata-se, pois, de um momento de efervescência política. A literatura, manifestação cultural, não desvencilhou-se desse momento. Pelo contrário: observou-o! Os artistas sentiram-se convidados a criar obras que, de alguma forma, estivessem referenciadas na realidade.

PROPOSTA ESTÉTICA: os artistas intimados e interessados pela realidade, buscaram, mais uma vez, a verossimilhança como suporte para suas criações. Como esse era um traço do Realismo-Naturalismo, diz-se que o Romance de 30 é neorealista, pois cria romances, essencialmente, verossímeis. Seguindo a proposta de Euclides da Cunha, o regionalismo vigorará nas obras. Os autores brasileiros observarão diferentes ambientes nacionais, principalmente o universo rural, agrário, para sua criação estética. Diferentemente de José de Alencar regionalista, ou de Euclides da Cunha jornalista, o regionalismo da década de 30 trará tipos sociais, mas avançará na descoberta psicológica dessas personagens. A ênfase estará, sem dúvida, na denúncia social, na observação das mazelas do País – a proposta ideológica acima da proposta estética.
A produção será em prosa: os romances. A maior parte deles fugirá ao experimentalismo proposto por Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Teremos enredos lineares, que permitam o diálogo com o leitor, ou seja, a livre fruição da obra. Há, sem dúvida, uma unidade de proposta estética. Entretanto, os muitos autores desse período elaborarão diferentes estilos e observarão, inclusive, a região urbana.

Consciência Sociológica: teremos a publicação de obras que pretendem compreender o País. São elas: Casa-grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1933); Evolução Política do Brasil, de Caio Prado Júnior (1933); Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (1936). Essas produções demonstram que os nossos intelectuais estavam, de fato, a observar a realidade brasileira.

LEITURAS OBRIGATÓRIAS - UFRGS 2010
Fogo Morto, de José Lins do Rego
Porteira Fechada, de Cyro Martins

O site Domínio Público disponibiliza alguns arquivos bem interessantes. Principalmente a categoria vídeos de literatura. Lá há uma séria "Mestres da Literatura Brasileira" - pequenos documentários sobre os autores. Acesse o vídeo sobre
José Lins do Rego.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

João Cabral de Melo Neto

Os manuais de Literatura anunciam João Cabral de Melo Neto como um poeta da Geração de 45. Sem muitas definições historiográficas, o que nos interessa, aqui, é a observação da sua estética: por vezes antilírica, como alguns críticos o chamam; por vezes com tom de observação social - O Cão Sem Plumas e Morte e Vida Severina.

A imagem da pedra, dizem, é perfeita para entendermos Cabral: tudo que precisamos para mergulhar em sua poesia está ali, diante dos nossos olhos, facilmente apreensível, observável, tão concreto como uma pedra. De fato, suas comparações são claríssimas, principalmente nos poemas que tencionam o rio Capibaribe.

Alguns arquivos: apresentação sobre João Cabral de Melo Neto.

Promessa Antiga!

Sem dúvida, eu gostaria de escrever muito mais do que escrevo. No entanto, sempre falta tempo! - Quando eu crescer, espero aprender a me organizar.
Pois bem, o Devaneio tem ficado um pouco quietinho, mas, agora, pretendo usá-lo com mais frequência para disponibilizar alguns materiais - serão pequenos resumos referente às aulas de Literatura e de Redação que ministro. Muitos dos arquivos não irão com as devidas referências e, desde já, digo que não estou roubando a "fala" dos críticos, mas, de fato, o material é da ordem da simplicidade e da praticidade - nada de ensaios acadêmicos.
Espero que o "pequenino" material seja útil.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Sob um plástico de bolhas...", de Ana Carolina Lersch Eidam

De volta ao DEVANEIO LITERÁRIO, minha ex-aluna, hoje colega de trabalho, Ana Carolina foi (ao mesmo tempo amigável e forçosamente) convidada a escrever uma resenha sobre a montagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, que passou recentemente por Porto Alegre. Dirigida por Gabriel Villela e composta por elenco estelar, com Marcello Antony, Leandra Leal e Vera Zimmermann nos papéis principais, a peça traz achados que, ao mesmo tempo que recuperam o texto original em toda a sua excelência, consagrando o papel de Nelson como nosso maior e mais importante dramaturgo de todos os tempos, dão novo olhar a alguns aspectos antes apenas sugeridos e outros sequer imaginados, demonstrando que o respeito e a fidelidade ao texto, no teatro, não são as marcas que mais sustentam uma montagem teatral, pois essa deve trazer algo novo para justificar a sua existência. Dentre carnavalização, uso do bolero e samba-canção, entre outros elementos, Ana escolheu... O plástico.

*

Aos vinte e três dias do mês de agosto desse ano, o clássico de Nelson Rodrigues Vestido de Noiva assumiu uma nova roupagem, ao menos para mim. Muito além do grande elenco que compunha a peça e sua incrível interpretação, dos cenários e figurinos muito bem elaborados, o que mais chamou a atenção foi, sem dúvida, o véu da noiva.

A loucura das idas e vindas no tempo, as confusões de Alaíde, os passeios no subconsciente de Madame Clessi, tudo isso compõe a complexidade do texto de Nelson e o torna único. A mistura de planos da realidade, memória e alucinação expõem, aos que conseguem acompanhar, as possibilidades e impossibilidades da mente humana que pode, em um instante, perder completamente o nexo e ir por caminhos inimagináveis. Ao longo da peça, Nelson desdobra uma história a princípio completamente sem sentido que vai se tornando uma teia de histórias cruzadas, refletindo a podridão das relações humanas, muitas vezes mais malucas que o próprio delírio de Alaíde.

E a peça fez jus ao texto. Não que tenha sido perfeita, longe disso. Até porque a minha Lúcia seria muito mais intensa, humana e imperfeita e o Pedro muito menos “abobado” e muito mais esperto. Sem perder, no entanto, a integralidade do texto, as imperfeições trouxeram um novo tom para a peça, juntamente com o cenário no qual os atores participavam e, é claro, o véu da noiva.

A genialidade de ter utilizado um simples plástico de bolhas para trazer toda a idéia da peça, da fragilidade das relações humanas e, principalmente, do amor e do casamento, deve-se ao fato de ter criado, inconscientemente, a idéia dessas sensíveis relações que tão facilmente como o plástico perdem a graça, o sentido e as bolhas. O plástico que, assim como o véu da noiva, servia para guardar e preservar algo valioso, tão logo perde sua utilidade e torna-se comum como qualquer outro.

Tudo isso mesclado com uma ótima trilha sonora, a fidelidade à obra e o clima tenso criado ao longo da peça, fizeram desse espetáculo não apenas mais um dentre os tantos que criam e recriam Nelson Rodrigues, mas algo tão único como o seu autor. Acabaram-se as bolhas, fica o desejo de ver algo assim novamente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Hora e a Vez dos Trabalhos Acadêmicos

Pois bem, os quadrinhos, mais uma vez!
Primeiramente, uma comemoração: na 21ª HQ Mix, que aconteceu no dia 21 de Agosto, em São Paulo, entre os premiados, desfilaram os já citados Fábio Moon e Gabriel Bá, prêmio Destaque internacional, e o Rafael Grampá, prêmio Melhor Desenhista Nacional e Melhor Álbum Especial Nacional.
Como o site oficial do evento anuncia, o Troféu HQMIX é o prêmio mais importante das HQs nacionais, algo parecido com o “Eisner Awards” ou um “Oscar dos Quadrinhos Nacionais”. Nesse evento, no entanto, o acontecimento que mais me interessa é a premiação da produção acadêmica - TCC, mestrado e doudorado. Assumindo uma atitide inovadora, desde sua criação, valoriza produções teóricas referentes ao universo do desenho. Em 2003, no entanto, formalizou-se a opção por observar as reflexões acadêmicas. Segundo as informações do site da HQ Mix, o interesse foi grande e as três categorias foram adotadas.
Na última edição, os vencedores foram:
  1. o TCC "A quarta dimensão do trabalho de Breccia", defendido por Pedro Franz Broering, do curso de Design Gráfico da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis;
  2. a dissertação de mestrado "Considerações sobre sociedade e tecnologia a partir da poética e linguagem dos quadrinhos de Lourenço Mutarelli no período de 1988 a 2006", defendida por Líber Eugenio Paz, do curso de Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em Curitiba;
  3. a tese de doutorado "O potencial das histórias em quadrinhos na formação de leitores: busca de um contraponto entre os panoramas culturais brasileiro e europeu", defendida por Valéria Aparecida Bari, do curso de Ciências da Informação e Documentação da Universidade de São Paulo.
Essas categorias de premiação são extremamente importantes, pois podem desconstruir o preconceito existente nos institutos acadêmicos - os quais são muito conservadores. Lamento, apenas, que nenhum dos premiados seja da área da LETRAS. Quem sabe, no futuro, eu não receba um prêmio desses?!! (hehe)
Além disso, a presença de Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, secretária de Educação Básica do MEC e responsável pela área que cuida das listas do PNBE, menciou a polêmica dos quadrinhos nas escolas e enunciou: "Não podemos ceder à pressão de falsos moralismos, de politicamente corretos". Falando nisso, é importante citar o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) de 2009. No Ensino Médio e no Ensino Fundamental teremos muitas HQs! Entre elas, teremos duas obras dos Bá - "10 pãezinhos - Meu Coração Não Sei Por quê" e "O Alienista", belíssima transcriação do conto de Machado de Assis.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Hora e a Vez dos Quadrinhos Nacionais

Para quem ainda acha que histórias em quadrinhos tem a ver apenas com heróis, super-heróis e seus dilemas, resta uma triste constatação: esses não lêem quadrinhos há muitos anos; ou talvez nunca pararam para perceber que este é apenas mais um canal de expressão artística que, como tal, guarda os mais variados temas, desde dramas surreais do universo de seres super poderosos, passando por personagens que talvez só tenham tanta graça por serem, justamente, iguais a nós.

No ambiente dos super-heróis, a literatura em quadrinhos passou por uma profunda revisão, principalmente através dos roteiros de Allan Moore (co-criador de Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária, entre outros) e da violência despudorada de Frank Miller (o homem que reinventou o Batman em O Cavaleiro das Trevas, o Demolidor em Demolidor - O Homem sem Medo, além de observar como nasce o heroísmo em 300 de Esparta e revisitar o noir na série Sin City); através do inigualável universo onírico de Neil Gaiman (de Sandman), os quadrinhos chegaram a obter status de arte de vanguarda; por outro lado, muitos autores percebam que os gibis também poderiam falar sobre o "nada", a vida comum e as pequenas ocorrências do prosaico, como nas obras de Harvey Pekar e Robert Crumb. Will Eisner, por exemplo, é o sinônimo dessa amplitude temática do gênero em questão: é a principal referência desse meio, criou o conceito de "romance gráfico" (graphic novel), deu as bases para a arte sequencial ser vista como algo original, teorizou sobre ela, obteve imenso sucesso com o herói Spirit, mas resolveu também explorar a miséria humana e a luta pela sobrevivência em espaços totalmente verossímeis, como na "trilogia do Contrato com Deus"; foi um contador de histórias sem limites, que falou sobre quase tudo e foi pioneiro na adaptação de clássicos da literatura para HQ'S. Além disso tudo, a literatura em quadrinhos continua produzindo obras-primas, em todos os estilos acima e dialogando com aspectos centrais da sociedade, como Maus, de Art Spiegelman, sobre o Nazismo (que ganhou o prêmio Pulitzer, considerado o maior status literário que uma obra pode alcançar internacionalmente), e Persépolis, de Marjane Satrapi, um painel da geopolítica do Irã durante a segunda metade do século XX sob o olhar de uma garota. Nessas diferentes vertentes, bebendo em todas essas fontes, estão alguns dos maiores talentos artísticos brasileiros do novo século, alguns deles trabalhando arduamente há mais de uma década a fim de consolidar o seu trabalho, garimpando visibilidade com algumas dificuldades, culpa de um preconceito ridículo para com o universo dessas histórias, principalmente no Brasil, onde a maior referência conhecida desse segmento são os personagens inesquecíveis de Maurício de Souza (Mônica, Cebolinha, entre outros que povoam o imaginário nacional).

Alguns desses grandes novos talentos fazem parte de um time que está renovando o gênero no país, mais pelo ato de produzir em si do que propriamente de vender, afinal, no Brasil, esse é um mercado difícil e visto de forma equivocada, ao contrário dos Estados Unidos, onde a maioria desses artistas produz, vende melhor, tem reconhecimento e ganha prêmios. Os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, além do gaúcho Rafael Grampá e de Rafael Coutinho, são representantes dessa virada. Os quatro estiveram na Festa Literária de Paraty deste ano, provando que, mais do que dialogar como literatura, as HQ'S representam um fazer artístico próprio e que deve ser respeitado como qualquer outro; guarda empenho de seus criadores, que querem dar conteúdo e originalidade a um gênero que tem muito disso (muito mesmo, espantosamente) e que não deve mais ser visto apenas como "tara nerd".

Fábio Moon e Gabriel Bá já são figuras carimbadas no circuito alternativo e guardam como principais marcas autorais as histórias sobre a vida cotidiana, amores, desamores, amizade e a condição de ser um cidadão comum, principalmente jovem, numa grande cidade. Além disso, desenham para os mais variados autores, principalmente para o mercado editorial norte-americano. Bá, por exemplo, ilustrou recentemente The Umbrella Academy, série escrita por Gerard Way, também vocalista da banda My Chemical Romance. Ao adaptarem o clássico conto de Machado de Assis, O Alienista, os irmãos ganharam o prêmio Jabuti, fato que lhes deu notoriedade e provavelmente tenha sido o "passaporte" dos rapazes para a Festa de Paraty deste ano. Juntamente com Rafael Grampá, mais os estrangeiros Vasilis Lolos e Becky Cloonan, receberam o Eisner Awards, o "Oscar" dos quadrinhos, por 5. Grampá, por sua vez, figura num estilo bem diferente dos irmãos, lançou recentemente a sensacional Mesmo Delivery, que ganhou em 2009 o principal prêmio de qudrinhos do Brasil, o HQ Mix, e promete encabeçar, definitivamente, o time principal dos criadores internacionais com a ainda em produção Furry Water and the Sons of the Insurrection, escrita pelo também brasileiro Daniel Pelizzari. Aliás, há um dado interessante aqui: tanto Pelizzari com Furry Water, quanto Daniel Galera com a também inédita Cachalote (produzida em parceria com Rafael Coutinho) são autores que fixaram seus nomes como escritores e agora migram para esse outro espaço literário - demonstração cabal de que o envolvimento com a arte não tem barreiras para aqueles que, simplesmente, querem contar boas histórias.

Estivemos lá na FLIP na mesa de discussão em que as HQ'S foram o centro das atenções e presenciamos uma sensacional spoken comic, uma pequena demonstração de algumas obras por seus próprios autores. Se fossem apenas livros, seriam lidos trechos, aqui, no entanto, foi preciso ver para conhecer.



TRECHO DE MESMO DELIVERY, DE RAFAEL GRAMPÁ, POR GRAMPÁ E RAFAEL COUTINHO

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TRECHO DA AINDA INÉDITA CACHALOTE, DE RAFAEL COUTINHO E DANIEL GALERA

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O elemento central nesta discussão sobre quadrinhos ser ou não literatura está no que consiste, de fato, o conceito de qualidade. Como já foi dito aqui, ser ou não ser literatura ou arte "de verdade" não é o foco da questão. O maior tabu que se coloca é que, em sua origem, e até hoje, os quadrinhos são um gênero de massa, consumido em demasia, uma indústria que gera muito dinheiro, mas que, na verdade, tem seus nichos. Assim como há a HQ mais comercial, há também aquela mais experimental ou intimista que rejeita a ideia de vender por vender; há autores que transitam nesses dois meios sabendo dosar essa distinção na identidade de uma obra mais autoral e outra que garante seu sustento - como é o caso dos gêmeos Moon e Bá; como em qualquer tipo de arte, há, aqui, aquela voltada ao grande público e a dos núcleos mais fiéis; há as histórias de boa qualidade e também as ruins, uma definição ambígua, sim, mas que nunca, em nenhum tipo de manifestação, pode ser definida pelo fato de ser popular ou mais restrita.

Seja qual for a temática, este é um gênero que mistura o sabor das letras com as artes gráficas sempre de uma forma única e, muitas vezes, despojada (no bom sentido), e que por isso talvez apaixone tanto. O que prova, mais do que nunca, como sensibilidade e reflexão, na arte, podem ser saberes intrínsecos à diversão. E, de uma vez por todas, chega dessa história: a literatura em quadrinhos também amadurece junto com seu público, uma vez que, definitivamente, não é coisa (só) de criança. Em alguns casos, é justamente o contrário: é necessária muita bagagem cultural para compreendê-la e uma percepção aguda de seus aspectos mais subjetivos.



*Durante o período em que estivemos na FLIP 2009, as HQ'S foram a nossa atração principal. Para nossa surpresa, foi por causa da presença delas que aparecemos no "Jornal Hoje" e no "Folha Online":
-CLIQUE AQUI PARA VER A REPORTAGEM (RUIM, EM TOM BASTANTE INFANTIL) DO "JORNAL HOJE" EM QUE A CAROL FALA E O VINICIUS APARECE DE CAMISETA DO GRÊMIO!
-CLIQUE AQUI PARA VER A (BOA) MATÉRIA DO "FOLHA ONLINE"! (NESSA SÓ APARECEMOS DE RELANCE)

*Recentemente, os quadrinhos fizeram parte de um acalorado debate pedagógico, uma vez que a adoção de algumas obras de Will Eisner em escolas foi questionada em âmbito federal e regional. Há argumentos dos mais variados, mas posicionamo-nos TOTALMENTE A FAVOR DA PERMANÊNCIA DESSAS HQ'S. Mais do que nunca, dialogar com o gênero em si na escola, sem preconceitos, seria já uma grande vitória. Além disso, a discussão sobre os temas presentes nas obras parece ser de um moralismo atroz por parte das autoridades. É claro que é necessário observar as faixas etárias dos leitores, mas negligenciar o conhecimento desses livros A TODOS é um absurdo.
- LINK PARA MATÉRIA DE ZERO HORA NO CLIC RBS!
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Em defesa de Eisner: links para ARTIGO DO CINEASTA JORGE FURTADO e TEXTO DE DIANA CORSO

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Chico é pop.





Cantor, compositor, dramaturgo, escritor, um pensador até... Certa vez uma amiga minha disse: "Chico Buarque é uma espécie de Aristóteles brasileiro". Brincadeiras hiperbólicas à parte, Buarque saltou do hall de grande gênio pós-Bossa Nova para se tornar esta que, hoje, seja talvez a maior referência intelectual do nosso país. E não é porque é cosmopolita na sua participação no meio artístico - até porque, musicalmente, Chico é um revisor da tradição, o extremo oposto de um Caetano Veloso, por exemplo, que se reinventa constantemente, sempre na busca pelo novo. Mas Chico é algo interessante de se analisar... Além de todas as suas atribuições e contribuições para a história cultural do Brasil recente ele é... Bonito (?!). Sim, é um galã para muitas, "o Felipe Dylon das quarentonas", como ironizou certa feita Juremir Machado da Silva.

Fato é que a passagem de Chico Buarque pela Festa Literária Internacional de Paraty justifica sua colocação no Olimpo das letras nacionais. Nessa cidade da literatura, ele é o rei! Sua presença é um evento! Numa era tão sem referências como a nossa, o exemplo de Buarque faz pensar como os mitos são criados em nossa sociedade: sua genialidade ultrapassa os limites da razão, pois consegue, mesmo numa tão recente e curta incursão pelo romance, criar obras magníficas, de notável apuro estético e narrativo, em que uma consegue reverter expectativas da anterior, promovendo algo sempre original (até mesmo se comparadas com seu papel na canção). E estamos falando do homem que compôs obras-primas irretocáveis como "Construção", "Folhetim", "Eu te amo" e tantas outras; que participou da renovação do teatro brasileiro com Gota D'água e Calabar e que, simplesmente, tornou-se uma referência de embate com a repressão durante a ditadura militar na luta pela liberdade de expressão. Com esse currículo, já temos a receita para se fazer um herói dentro da cultura. Mas o homem não cansa e dedica-se também à literatura, justamente em um gênero hoje pouco produzido, pelo esmero necessário à sua criação, e pouco lido, pelas inúmeras atrações que rivalizam com ele nesse espetáculo da modernidade: o romance. Nesse sentido, Chico reinventa sua carreira à sua maneira. E lá vão mais genialidades: Estorvo, Benjamin... E o cara ainda é best-seller (!).

O sucesso comercial de Chico Buarque, principalmente em seu último livro, Leite Derramado, obviamente se deve a um excelente movimento de promoção editorial, mas não há dúvida de seu talento. Só isso justifica a mobilização que ele produz num evento desse tipo: os ingressos para a mesa de discussão em que ele participaria esgotaram-se em poucas horas, um mês antes da FLIP iniciar. A mera ideia da presença do compositor causa histeria em fãs que, dadas as suas feições de mães e pais de família, parecem patéticos, mas a idolatria é como a fé, e esses são elementos absurdamente irracionais. Posso estar errado, mas acredito que Chico nunca foi tão unânime quanto hoje; seu sucesso nunca foi tão presente quanto hoje; talvez ele mesmo só esteja vendo seu sucesso comercial, realmente, hoje, justamente porque necessitamos de referências como ele, tão precisamente geniais, tão idôneas.

*

Na noite do dia 3 de Julho, temos um circo armado. Uma sala: lotada; um espaço para ver a tal mesa de debate no telão: lotado; o mediador da mesa avisa que os autores autografarão seus livros em seguida, em quatidade limitada: histeria, corre-corre... Uma fila de autógrafos cheia, lotada, antes mesmo de iniciarem-se os trabalhos. Analiso o contexto e penso: "Milton Hatoum... Ele é o outro cara da mesa do Chico... Apenas isso: aqui ele é o outro cara. Será que ele se dá conta disso? Putz, ele escreveu Dois Irmãos, uma obra-prima... Será que alguém está aqui para ouvir ele? Será que alguém vai autografar algum livro seu também...?".

Trata-se de um testemunho: testemunhamos a afirmação de um ídolo. Tão grande quanto Michael Jackson, tão distinto e reverenciado quanto Madonna, tão permanente quanto Beatles, U2 e Rolling Stones. Lá, em Paraty, na terra dos livros, Chico Buarque é pop - é o rei do pop! (Aposto que se ele andasse caminhando pelo calçadão de Copacabana nem seria notado.)

Ah! Quanto aos autógrafos, não fiquei para ver, mas parece que Buarque só autografou 150 livros, a histeria causada em torno de sua presença atrasou o show de Francis Hime & Olivia Hime, o que me deixou um pouco irritado. Espero que Milton Hatoum tenha autografado algum livro, mesmo que tenha sido uma dedicatória em algum exemplar de Leite Derramado - toda essa catarse social tornou o cara um pouco mais simpático para mim.

terça-feira, 21 de julho de 2009

"É uma festa, não um evento acadêmico."

A frase acima define muito bem a diferença que se coloca entre a FLIP e demais eventos que buscam essa necessidade de colocar em pauta a literatura. Trata-se, literalmente, de uma festa, como o próprio nome que ela leva já diz (Festa Literária Internacional de Paraty). Mas até que ponto uma festa pode contribuir para uma discussão literária? Essa é a grande questão, pois, afinal, não existe forma melhor ou pior de discutir a literatura e, o aspecto mais importante, discutir o corpus literário, não é, afinal, mais ou menos importante do que, efetivamente, ler.

As palavras do conferencista de abertura do evento Davi Arriguci Jr. ilustraram muito bem do que se trata a FLIP e, logo no primeiro dia, tornou-se muito nítido o que tínhamos ali: na principal praça da cidade, uma biblioteca infantil gabaritada, livros pendurados nas árvores, autores famosos circulando pelas ruas, cordelistas recitando seus versos, uma infinidade de palestras gratuitas acontecendo ininterruptamente, projetos dos mais variados divulgando seus trabalhos em vários estandes... Enfim, o que diz Arriguci: "um evento que valoriza a necessidade da leitura". Parece uma frase simples, mas perceba a sutileza: o crítico e professor, em suas palavras (e como dito posteriormente), coloca que se trata de uma necessidade que se sobrepõe, inclusive, ao ato de escrever, é algo muito maior do que essa ligação intríseca entre escrita/leitura; ler é um ato solitário, sim, pois nos vinculamos intimamente com um livro, mas, da mesma forma, ler é um ato isolado, que fala por si só e que deve ser valorizado no e pelo momento da leitura. Discutir um livro, um autor e sua obra é algo fundamental, mas tornar o ato de ler algo tão natural quanto assistir TV ou ouvir música (também um lazer, portanto) é uma missão da FLIP e que deve não estar tão engessado em objetivos, expectativas ou cotejos com a teroria e a crítica.

*

Para aquele que chega em Paraty, fica nítido que tal evento está no lugar certo: uma cidade que respira o século XVIII em suas construções, em que seu centro histórico compreende quase que todo o seu território, os livros descansam e a leitura está permanentemente viva entre as pessoas como um ideal perdido no tempo. Claro, há elementos de profunda relação mercadológica, uma vez que temos as falas dos autores "popstars" que, digamos, "puxam" o público para a cidade e promovem o turismo realmente - o turista que paga caro, que consome não só cultura -, mas, ao contrário das minhas próprias expectativas, não é um evento tão elitizado como esperava (o que por muitas vezes plantou uma séria dúvida sobre a validade de investir no mesmo); o espaço infanto-juvenil é extremamente valorizado, uma alegria só ver as escolas, as crianças e os adolescentes envolvidos em atividades simples, mas que fazem toda a diferença e, principalmente, um evento democrático por equilibrar a necessidade de custeá-lo (refiro-me às palestras pagas em que, não sendo estudante, fica realmente caro ir à FLIP), associado também a uma programação aberta a todos (e aqui tenho a convicção de afirmar que se trata do "grosso" do evento).

Para quem é de Porto Alegre, há uma relação muito próxima com a forma como a Feira do Livro estruturou-se nos últimos anos, abrindo espaço para palestras e oficinas, por exemplo - exceto pelo fato de que a venda de livros não é o foco em Paraty. Essa proximidade dá-se, fundamentalmente, por essa relação que há com a euforia pelo livro, uma euforia perdida com o advento de tecnologias e chamarizes que diminuíram o público leitor nessa nova sociedade pós-moderna. Neste sentido, é nítido o esforço da Festa Literária de Paraty em agradar as crianças (e agora com foco também nos adolescentes), pois nelas reside a esperança de termos leitores que manterão aceso o gosto pela literatura em todas as suas formas (na oralidade também!) e, sejamos honestos, é isso realmente o que importa, afinal de contas é uma festa, e ninguém sabe fazer festa melhor que eles.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Festa Literária Internacional de Paraty

Então, pessoas...

De volta à capital gaúcha, após a FLIP 2009 em Paraty! Por ora só podemos dizer que há muito a ser contado. A ideia é, gradualmente, atualizar o Devaneio Literário com alguns dos principais momentos que presenciamos neste evento incrível.

Em meio a histórias em quadrinhos, furor por Chico Buarque, palestra com o Marcelo Tás (do CQC) e até aparição na TV, muitas coisas legais serão aqui relatadas.

Aguardem!




quarta-feira, 17 de junho de 2009

Depoimento sobre leitura - Felipe Guerreiro Dias da Silva

Mais uma vez abrimos espaço no Devaneio Literário para os nossos pupilos. O depoimento abaixo foi escrito por Felipe Guerreiro Dias da Silva, estudante do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Martinho Lutero, de Cachoeirinha, e é uma breve amostra de que, mesmo com o tédio que nos circunda com relação a algumas obrigações escolares, a leitura é um prazer que não pode ser deixado de lado - é só achar algo que promova identificação. Publicado no jornal da cidade, o pequeno texto é mais um motivo de orgulho e satisfação nossa.

*

Sempre fui muito agitado e bagunceiro, não queria parar nem para dormir, e a solução encontrada pelos meus pais foi me presentear com um livro. Mal sabiam eles o que acabavam de criar. Nos tempos em que o colégio era menos cansativo, acabei por desenvolver o hábito de devorar um livro inteiro em uma noite, isso quando não começava a ler o segundo.

Meus primeiros favoritos foram "Harry Potter" e "Artemis Fowl". Hoje em dia, minha coleção mais amada é "Discworld", de Terry Pratchett, uma comédia medieval fantástica, e também os contos de H. P. Lovecraft, mestre do gênero terror e suspense.

Aconselho para o pessoal mais jovem, que não gosta de ler, que comece com algo como "Sandman", de Neil Gaiman - que conta a história de Sonho, governante de Sonhar, e de como ele interage com os homens, o Universo e suas criaturas - ou com alguns mangás (histórias em quadrinhos japonesas)

Felipe Guerreiro Dias da Silva

, p. 08.


* Complementando o comentário de Felipe, uma boa amostra da obra do quadrinista e romancista Neil Gaiman está na série em quadrinhos "Morte: o grande momento da vida", que é recuperada em "Sandman". Recentemente, algumas de suas histórias foram adaptadas para o cinema (Stardust, com Michele Pfeifer e Robert DeNiro - sem muito êxito - e Coraline e o Mundo Secreto, animação de Henry Selick - esta sim, uma obra infanto-juvenil que respeita as principais marcas do genial autor original).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Que livro é você?

Dica do blog da nossa amiga Carolina Duarte, o LUSCA-FUSCA: no site do projeto "Educar para crescer", do grupo Abril, há um teste daqueles bem divertidos, que podemos fazer justamente naquelas horas em que não há mais absolutamente nada que mereça a nossa atenção. Responda 10 questões simples sobre sobre sociedade, a sua personalidade e relações humanas e descubra que obra você seria se fosse um livro! Eu fiz - veja no que deu (um clássico!):

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.

- Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.


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É, como dá pra ver ainda sobra espaço até para dicas no maior estilo "horóscopo". Aliás, seria bem interessante realmente se, ao invés de sermos guiados pelos astros e por signos do zodíaco, tivéssesmos nosso destino traçado de acordo com referências literárias. Coitado de quem fosse um "Dom Casmurro"...


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terça-feira, 12 de maio de 2009

"Trote nas universidades, como usá-lo?", de Bruna Madsen Carvalho

Durante o mês de Abril estudantes de diversas cidades do Rio Grande do Sul mobilizaram-se em torno do Concurso RedAÇÃO ZH, um concurso cultural promovido em parceria entre o jornal Zero Hora e o curso pré-vestibular Unificado. Como o próprio nome coloca, trata-se de uma oportunidade de exercitar a prática da escrita de texto dissertativo voltada ao vestibular. Neste ano o tema foi "O Trote nas Universidades" e 300 estudantes foram selecionados para a segunda etapa que se realizará no próximo Sábado, 16 de Maio, que trará uma proposta de produção textual totalmente nova. Deixamos aqui, então, a discussão literária (ou sobre ensino & literatura tão pontuada ultimamente neste blog) para divulgar a todos um desses textos selecionados: trata-se de uma estudante da rede privada da grande Porto Alegre, Bruna Madsen Carvalho, aluna do segundo ano do Ensino Médio da Escola Martinho Lutero, de Cachoeirinha - que eu, Vinicius Rodrigues, colaborador do Devaneio Literário (e professor da autora), trago aqui como forma de parabenizá-la imensamente por esta conquista. Um texto enxuto e objetivo que traduz uma necessidade de compreender algo que poderia ser tão distante de uma estudante como ela, mas que é passível de reflexão e tentativa de entendimento. Desejemos sorte à jovem nesta segunda etapa que virá!

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Há alguns meses atrás (mais especificamente em Fevereiro de 2009), aconteceram vários trotes maldosos na Universidade Federal de São Paulo, onde uma caloura grávida acabou sendo ferida por uma veterana de Pedagogia que usou creolina no trote; houve também outro caso, no qual um calouro foi submetido a beber álcool até desmaiar para que outros se aproveitassem da situação para bater no mesmo.
Eu, particularmente, não sou contra os trotes, sabendo usá-los com sabedoria, criatividade e sem ter intenção de machucar, tudo se torna fácil e mais divertido.
As perguntas são: para que humilhar, pisar, debochar dos calouros? O que leva os veteranos a fazer isso? Às vezes as influências de fora mexem com as nossas cabeças, temos que saber dividir o errado do certo. Machucar nossos colegas, que no futuro poderão ser nossos amigos... Não faz sentido!
Com relação ao trote solidário, sou totalmente a favor. Ao invés de nos submetermos a humilhações lastimáveis, porque não ajudar alguém que realmente precise? Pedir dinheiro no semáforo pode não ser tão humilhante se for para realmente ajudar quem precisa.
O trote solidário poderia ajudar várias instituições de caridade, assim fazendo com que muitos que estão tristes voltem a sorrir. Passar um dia na semana, durante um mês, com alguém que precisa de carinho deixaria todos muito mais satisfeitos. Essas e outras atitudes que realmente valem a pena deixariam os envolvidos muito mais felizes.

Bruna Madsen Carvalho